sábado, 17 de julho de 2010




















Lendo uma entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, ouvi uma palavra

inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser
humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é
exatamente fácil de alcançar. O sujeito "normal" é magro, alegre, belo,

sociável, e bem-sucedido. Quem não se "normaliza" acaba adoecendo.
A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias,
depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.

A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores
de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas?

Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você

seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha
"presença" através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que
não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem

for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.

A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a
ânsia de querer o que não se precisa. Você precisa de quantos pares de
sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o

verão chegar?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de
exigências fictícias.
Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não
são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim aquelas que

desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscos de viver uma
vida a seu modo.
Criaram o seu "normal" e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não
passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.


Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros. É fraude.
E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.

Eu simpatizo cada vez mais com quem nos ajuda a remover obstáculos mentais e
emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera.


Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos
homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e
felizes.

Martha Medeiros ( 05.08.07-Jornal Zero Hora-P.Alegre-RS)

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